O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na noite de quarta-feira que não sabe se Washington e Teerã estão caminhando para uma retomada de uma guerra em larga escala, mas disse que o Irã “quer muito” fechar um acordo para interromper a escalada das hostilidades no Oriente Médio.
Trump retornou a Washington, D.C., na quarta-feira, passando pelo Reino Unido durante o trajeto. Em entrevista a jornalistas a bordo do avião presidencial Air Force One, enquanto deixava a base aérea de Mildenhall, no Reino Unido, o presidente afirmou que as forças americanas haviam “atingido o Irã com muita força”.
“Eu diria que nós os atingimos em uma proporção de 20 para 1 — cada vez que eles nos atingirem, nós vamos atingi-los 20 vezes, e foi isso que fizemos na noite passada”, declarou. “Eles fizeram algo pequeno hoje, mas foi realmente uma retaliação pelo que aconteceu ontem à noite… quando eles nos atingiram, nós respondemos de forma muito mais forte.”
Questionado sobre a possibilidade de Estados Unidos e Irã retornarem a um conflito militar de grandes proporções, Trump respondeu: “Eu não sei”, acrescentando que, caso a guerra recomeçasse, os EUA “venceriam muito rapidamente”.
“Temos muitas maneiras de vencer, mas militarmente já vencemos. Eles têm muito pouco restante e querem muito fazer um acordo. Eles ligaram há pouco tempo. Eles querem muito fazer um acordo. Eu simplesmente não sei se eles são dignos de fazer um acordo. Não sei se vão respeitar o acordo. Esse é o problema”, afirmou.
O cessar-fogo acabou?
O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) informou que suas forças realizaram uma nova rodada de ataques contra o Irã na quarta-feira, com o objetivo de “reduzir a capacidade do Irã de atacar navios comerciais e marinheiros civis no Estreito de Ormuz”.
O estreito, uma das principais rotas marítimas do Oriente Médio para o transporte de petróleo e outras commodities estratégicas, tornou-se um dos principais pontos de disputa nas negociações para encerrar o conflito entre EUA e Irã.
Um bloqueio da passagem durante grande parte da guerra provocou uma alta nos custos de energia e aumentou as preocupações com a inflação global, além de pressionar bancos centrais a manterem uma postura mais rígida na política monetária.
Na terça-feira, os Estados Unidos realizaram uma ofensiva contra o Irã em resposta a ataques contra três embarcações comerciais que transitavam pelo Estreito de Ormuz. Na sequência, o Departamento do Tesouro americano retirou uma autorização que permitia ao Irã vender petróleo.
Segundo o Centcom, as duas operações atingiram aproximadamente 170 alvos militares iranianos.
No mês passado, Washington e Teerã haviam confirmado um memorando de entendimento para encerrar a guerra. No entanto, durante a cúpula da Otan em Ancara, na Turquia, Trump levantou dúvidas sobre o futuro do frágil cessar-fogo entre os dois países.
“Acho que acabou”, afirmou Trump ao ser questionado por um jornalista sobre o acordo durante uma aparição ao lado do secretário-geral da Otan, Mark Rutte.
“Não quero mais lidar com eles… na minha opinião, acabou”, disse o presidente ao se referir ao governo iraniano.
Trump afirmou ainda que a delegação americana queria negociar um acordo de paz, mas avaliou que seria “perda de tempo” continuar tratando com o lado iraniano.
Em comunicado divulgado na quinta-feira, o Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou que os ataques americanos violaram o memorando de entendimento firmado menos de quatro semanas antes.
“O Ministério das Relações Exteriores enfatiza a determinação da República Islâmica do Irã em defender a soberania nacional e a integridade territorial do Irã e punir os agressores”, afirmou a nota.
Os preços do petróleo operavam levemente em alta na manhã de quinta-feira. O Brent, referência internacional, era negociado acima de US$ 78 por barril, enquanto o petróleo americano WTI estava cotado a US$ 73,55.
Fonte: Times Brasil









